domingo, 5 de junho de 2011

Sais solúveis em água






A figura acima mostra cristais de sais solúveis em água acima do seu ponto de deliquescência. O ponto de deliquescência ocorre em substâncias higroscópicas (capazes de absorver água), quando a pressão de vapor da substância saturada é menor que a pressão de vapor da água na atmosfera.


A foto foi feita utilizando um microscópio de eletrônico de varredura.



Os créditos são de Elizabeth Kupp (Penn State University)


:-)

terça-feira, 1 de março de 2011

ÁLCOOL e MEDICAMENTOS


Olá pessoal!

Durante uma conversa na mesa de um bar, (mais especificamente no Mulligan, os leitores de PoA devem saber onde fica), discutindo algo sobre ressaca, veio a questão dos medicamentos para dor de cabeça. Sim, como curar a dor de cabeça após ter ingerido alguns “golinhos” extras de bebida alcoólica. Muitas pessoas costumam tomar, Neosaldina®, dipirona sódica, Lisador® e o velho e “bom” paracetamol. Digo, velho e “bom”, pois na realidade muitas pessoas não sabem que tomar paracetamol após a ingestão de bebida alcoólica pode fazer um estrago gigante no fígado.

Na verdade, medicamentos NUNCA podem ser ingeridos concomitantemente com bebidas alcoólicas. Isto porque o álcool etílico age como um indutor enzimático sendo capaz de promover a ativação das enzimas hepáticas, que por sua vez agem na biotransformação (metabolismo) de muitos medicamentos. Dessa forma, ocorre a redução da meia-vida dos fármacos no organismo. Para pacientes sob tratamento a base de antibióticos, a ingestão de álcool é um grande problema. A redução da meia-vida de um antibiótico diminui a eficácia contra os microorganismos patogênicos, tornando-os mais resistentes.

Bom, voltando para o paracetamol...
Como efeitos adversos, o paracetamol, apresenta agudas e graves necroses no fígado. Mas como isso acontece?

Quando metabolizado, por uma enzima chamada CYP450, este fármaco produz a iminoquinona uma molécula capaz de sofrer reações de conjugação com a glutationa. A glutationa é um tripeptídeo sulfidrílico, que em geral, promove reações de bioinativação de moléculas presentes no fígado. A questão é que a interação da iminoquinona com a glutationa reduz o nível desta ultima molécula, causando os efeitos adversos. Com a diminuição de glutationa, ocorre reações de peroxidação lipídica (se quiser saber mais sobre o assunto indico o seguinte blog: http://bioradicaisbio.blogspot.com/2009/07/peroxidacao-lipidica.html) nos hepatócitos (células do fígado) e depois a alteração da homeostase de íons Ca++, causando a toxicidade hepática.

Ok! Até ai tudo bem, certo? E agora? Onde entra a bebida alcoólica, no caso do paracetamol?

Como eu escrevi antes, o álcool age como indutor enzimático. Portanto, ele ativa a enzima CYP450, que age no metabolismo do paracetamol produzindo mais iminoquinona. Desta forma, potencializa a formação de complexos imiquinona-glutationa, retirando a glutationa do fígado, aumentando os efeitos adversos.

Simples assim! Nada de ingestão de medicamentos com álcool!

Barreiro, E. J.; Fraga, C.A.M. Química Medicinal - As bases moleculares da ação dos fármacos. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Katzung, B. G. Farmacologia Básica e Clinica. 6 a ed. Guanabara Koogan, 1995.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

MASSA CRÍTICA


Oi pessoal,

Devido ao recente atentado contra a vida de várias pessoas aqui em Porto Alegre, vim divulgar o blog da Massa Crítica em solidariedade as pessoas que sofreram a tentativa de assassinato. Sim, assassinato. Essa é a verdade para o atropelamento de vários ciclistas em Porto Alegre.

Quando vejo esse tipo de tragédia, fico me questionando o que mais falta acontecer para as autoridades serem capazes de resolver de forma competente e com agilidade, uma questão tão importante como esta.

No blog o relato da tentativa de assassinato me deixou de “boca aberta” e com lágrimas nos olhos!

É inacreditável o tratamento que as vítimas receberam da EPTC e da polícia. É importante a leitura do blog e assistir os vídeos que estão disponíveis na Internet, para uma maior compreensão dos fatos. Isto porque tem jornais divulgando que os ciclistas podem não ser as vítimas!
Em um dos posts do blog o vídeo da reportagem do RBS Notícias, deixa claro que o delegado ainda acredita na possibilidade de que os ciclistas não são as vítimas! A repórter diz: - “A polícia precisa agora ouvir o motorista para saber se ele usou o automóvel como uma arma contra os ciclistas ou se estaria tentando fugir por se sentir ameaçado...”. Nossa!!!! Se sentir ameaçado ?????????? Ameaçado do que ???????????

Pelo amor de Deus!!! Espero que a justiça seja feita e esse motorista não entre mais em contato com a sociedade.

http://massacriticapoa.wordpress.com/


Estou de volta!



Olá, pessoal!



Estou de volta!


Agora com novidades, sobre diversos assuntos relacionados à interface das áreas farmacêutica e química. No momento estou escrevendo um post sobre um fármaco muito utilizado contra dores de cabeça. A partir de agora, irei abordar temas em algumas subáreas como química farmacêutica, farmacotécnica, cosmetologia, nanotecnologia e ciclodextrinas.



:-)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Função dos anticorpos

Os anticorpos além de defender o organismo de patógenos invasores, como vírus ou bactérias, atuam no processo de reparação de nervos danificados. Pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mostram pela primeira vez que os anticorpos são críticos para a restauração de danos no sistema nervoso periférico, o tecido que se estende para fora do cérebro e da medula espinhal, como o nervo ciático, que é acessado por anticorpos circulantes. O estudo também indicou que alguns desses anticorpos atuam na reparação de nervos danificados. A descoberta abre a investigação de possíveis tratamentos para danos na medula ou acidente vascular cerebral.
Enquanto os anticorpos têm acesso limitado ao cérebro e à medula espinhal, eles entram sem dificuldade no sistema nervoso periférico. Células nervosas conduzem impulsos eletroquímicos por longas distâncias por meio dos axônios. Essas estruturas são tipicamente cobertas por uma camada isolante denominada bainha de mielina composta por fibras nervosas mielínicas.
Após o dano a um nervo, a mielina degenerada se desloca da área do acidente e é rapidamente limpa no sistema nervoso periférico, mas não no central. No estudo, os autores empregaram camundongos modificados geneticamente para que não produzissem anticorpos e verificaram que não houve restauração de nervos nem remoção da mielina da área afetada. Ao injetar nos camundongos transgênicos anticorpos de animais normais, os cientistas observaram os dois processos.
Os pesquisadores injetaram nos camundongos geneticamente modificados anticorpos que têm como alvo específico uma proteína que ocorre somente na mielina. O processo restaurou o reparo de terminações nervosas, o que não ocorreu quando administraram outros anticorpos, não associados com a mielina.

Fonte: Barres, B. et al. Endogenous antibodies promote rapid myelin clearance and effective axon regeneration after nerve injury.
www.agencia.fapesp.br